Digo para mim mesmo que não é preciso assassinar o que já está morto… — O Ovo Apunhalado - Caio Fernando Abreu
…esse menino não chora e não diz nada. Tem olhos enormes para o que ainda não chegou e talvez não chegue nunca. — O Ovo Apunhalado - Caio Fernando Abreu
Não sentia mais sua ausência porque eu também era ausência. — O Ovo Apunhalado - Caio Fernando Abreu
Para tranqüilizá-lo, ou para tranqüilizar a mim mesmo, fui dizendo no mesmo ritmo que era talvez um tempo dos tempos futuros, onde cada um faria o que bem entendesse. — O Ovo Apunhalado - Caio Fernando Abreu
Mas o que me doía, agora, era um passado próximo. — O Ovo Apunhalado - Caio Fernando Abreu
Até então aceitara todas as ausências e dizia muitas vezes para os outros quente sentia um pouco como um algum de retratos. — O Ovo Apunhalado - Caio Fernando Abreu
Tudo isso me perturbava porque eu pensara até então que, de certa forma, toda minha evolução conduzira lentamente a uma espécie de não-precisar-de-ninguém. — O Ovo Apunhalado - Caio Fernando Abreu
…as miudezas se amontoavam pelos cantos. Mas o que marcava e pesava mais era o intangível. — O Ovo Apunhalado - Caio Fernando Abreu
…acho que foi o fato de você partir que me fez descobrir tantas coisas… — O Ovo Apunhalado - Caio Fernando Abreu
sabe, eu me perguntava até que ponto você era aquilo que eu via em você ou antenas aquilo que eu queria ver em você, eu queria saber até que ponto você não era apenas uma projeção daquilo que eu sentia, e se era assim, até quando eu conseguiria ver em vocês todas essas coisas que me fascinavam e que no fundo, sempre no fundo, talvez nem fosses suas, mas minhas, e pensava que amar era do conseguir ver, e desamar era não mais conseguir ver, entende? — O Ovo Apunhalado - Caio Fernando Abreu
…eu queria te dizer uma porção de coisas, de uma porção de noites, ou tardes, ou manhãs, não importa a cor, é, a cor, o tempo é só uma questão de cor, não é? — O Ovo Apunhalado - Caio Fernando Abreu
Então eu te disse que me doíam essas esperas, esses chamados que não vinham e quando vinham sempre e nunca traziam nem a palavra e às vezes nem a pessoa exatas. — O Ovo Apunhalado - Caio Fernando Abreu
Perguntaste se o que me doía era a consciência. Eu te disse que o que me doía era não conseguir aceitar minha pobreza. — O Ovo Apunhalado - Caio Fernando Abreu
Ontem à noite disseste que não era difícil, disseste um pouco irônica que bastava começar, que no começo era só fingir e logo depois, não muito depois, o fingimento passava a ser verdade, então a gente ia até o fundo do fundo. — O Ovo Apunhalado - Caio Fernando Abreu
…esperava de você apenas coisas assim, avenca, samambaia, roseira, mas nunca, em nenhum momento essa coisa enorme que me obrigou a abrir todas as janelas, e depois as portas, e pouco a pouco derrubar todas as paredes e arrancar o telhado para que você crescesse livremente… — O Ovo Apunhalado - Caio Fernando Abreu